Sexta feira e eu aqui em casa olhando o céu cinza do lado de fora. Comecei a pensar nas coisas que eu mais sinto falta no Brasil.
A familia : saudade da rotina em familia, da minha mãe, dos irmãos e dos sobrinhos que não param de crescer enquanto eu estou aqui tão longe.
Dos amigos... dos verdadeiros amigos. Daqueles que não deixaram a distância esfriar a amizade e que estão sempre por perto, mesmo estando tão longe.
Do Rio! Do sol, das caminhadas na praia, do cheirinho de chuva e da maresia, das chuvas de verão com trovões e relampagos com direito a apagão e tudo. Saudade do centro da cidade, do Saara e até da UFRJ.
Das atividades. Saudade da dança de salão, do zouk, do forro e do samba. Saudade de acampar em Ilha Grande, em Trindade, em Minas...
Saudade das merdinhas que a gente come! Saudade do pastel de feira com caldo de cana, da tapioca, do cheddar mcmelt, do feijão com arroz diario, da agua de coco, dos doces da mamãe, do requeijão e sobretudo do catupiry, do pão de queijo, dos salgadinhos de festa e claro... do churrasco de domingo que dura o dia inteiro.
Eu nunca fui muito dona de casa e a vida a dois me mostrou que eu realmente não nasci para isso. Eu limpo quando quero, arrumo quando quero, lavo quando quero e não passo nunca! Mas uma coisa que eu sempre gostei foi de ir pra cozinha. Quando morava com meus pais eu testava a cozinha com pizzas loucas e muitos doces. Mas nunca me investi muito no assunto. Afinal, minha mãe é otima com doces e tortas e fazia muito sucesso com a barraquinha de tortas na feirinha do bairro.
Na França aprendi a me interessar mais pelo assunto, afinal, ela é conhecida como a capital da gastronomia. Sinceramente eu não gosto da cozinha tradicional francesa, não gosto dos ovos com gema mole, não gosto da carne sangrando e muito menos de comer bichinhos fofinhos como veadinhos, coelho, carneiro e pato. Mas se tem uma coisa que eu amo aqui é, definitivamente, a patisserie francesa! Croissants (massa folheada enroladinha com muita manteiga) e pains au chocolat (massa folheada com muita manteiga e com recheio de chocolate) não são meu forte, mas mil folhas, paris brest, fraisier, charlottes, chouquettes.. ai meu Deus! Amo!!! Mesmo o gosto do brasileiro ser muito diferente do francês eu aprendi a apreciar doces não muito doces. Eh os franceses não gostam muito de doces cheios de açucar e quase nunca tem leite condensado na receita, o que acaba sendo mais "leve" e continua muito bom!
Tudo isso pra dizer que eu acompanho o blog culinario da Fanny, o Foodbeam e amo suas receitas! Além do blog ser uma graça, todo rosinha, as fotos são lindas e fica tudo muito bem explicadinho. Ela sempre publicou receitas em inglês e atualmente passou a publica-las também em francês. Pra quem é poliglota vale a pena conferir!
Eu sou assim : se algo for por obrigação e não for remunarado eu nunca faço. Por isso eu nunca termino meus relatos de viagens, porque vira uma obrigação. Ninguém me cobra por isso, somente eu. Eu coloco na minha cabeça que tenho que escrever, dai vou empurrando, empurrando e nunca termino. Com a Italia foi assim, com Lisboa foi assim e com a Malasia ???? Espero achar inspiração para continuar a relatar nossa ultima e magnifica viagem !
Fora isso essas duas semanas andam agitadas. Muitos compromissos, graças a Deus! E com isso não me sobra concentração e cabeça para outras coisas (incluindo o blog).
Pra completar Romain se foi. Esta na Turquia pelo trabalho, talvez eu va passar o fim de semana com ele, mas talvez não, depende da agenda. =)
Primavera em Paris, piquenique nos parques, sol, flores... maravilha!
Se alguém me perguntar o que mais me marcou na Malasia, infelizmente eu diria que foi o oleo de palmeira*. Hectares e hectares de florestas milenares, que abrigam uma enorme biodiversidade, viram plantações de palmeiras para extração de oleo. Oleo que alimenta as industrias agroalimentares, de "bio-combustiveis" e cosméticas, por seu baixo custo. Baixo custo comercial, mas um custo enorme para o planeta.
Atravessar a Malasia de carro, so para os que têm coração forte. Mesmo se as estradas são otimas, a paisagem ao longo das rodovias é triste. Plantações de palmeiras se estendem até o horizonte.
Foto por Rhett A. Butler
A Malasia é o maior produtor mundial de oleo de palmeira(47% do mercado), seguido da Indonésia (36%). O Brasil encontra-se em 13° colocado na lista dos maiores produtores de oleo de palmeira.
O oleo de palmeira é extraido da semente do fruto da palmeira. Uma arvore é produtiva durante 35 anos. Mas com 20 - 25 anos a arvore fica muito alta e a coleta dos frutos é inviavel. A arvore é então derrubada e sua madeira recuperada.
A semente de palmeira. Foto feita por Rhett A. Butler.
O fruto. Foto feita por Rhett A. Butler.
Além da liberação do gas carbônico, o desmatamento acaba eliminando diversas espécies de plantas e animais, entre eles os Orangotangos.
Nos visitamos um Centro de Re-habilitação de Elefantes e dois de Orangotangos na Malasia. Os elefantes acabam sendo pegos de surpresa e ilhados num pedacinho de floresta cercado de palmeiras por todos os lados. Por falta de comida e de floresta, inumeros animais acabam morrendo.
O Centro de Re-habilitação de elefantes recupera os elefantes ilhados e libera em areas de preservação ambiental. E os centros de orangotangos acabam recolhendo os bebes que perderam suas mães, o alimentam e tentam re-introduzir na natureza. Mas esse trabalho não é nada simples. Estima-se que se continuarmos nesse mesmo ritmo em 2022 os orangotangos serão completamente extintos. Esses animais habitam essencialmente nos paises conhecidos como maiores produtores de oleo de palmeira e cerca de 90% de seu habitat natural ja foi devastado.
Esse bebe nos acompanhou durante alguns minutos no Centro. Sua mãe foi morta e hoje ele vive so. Dava para sentir a tristeza dele pelos olhos, pela forma lenta como ele caminhava ...
Lembram dessa propaganda da Dove????
Pois é, o que não foi dito na propaganda orginal pode ser visto nessa versão feita pelo Greenpeace.
Não é somente o oleo de palmeira nosso inimigo Numero 1, vide a Amazonia e a soja. Hoje, soh nos resta lutar pela preservação do que resta de nosso planeta. Exigir um desenvolvimento duravel, sustentavel e um consumo responsavel dos bens oferecidos pela natureza.
* Não sei ao certo o nome do oleo. Em inglês é Palm Oil e em francês huile de palme.
No meu segundo mês na França, 2005, aconteceu um episodio muito estranho.
Era a época pouco depois do incêndio que passamos e estavamos temporariamente hospedados na casa de amigos do Romain em Versalhes. Era quarta feira, quase meio dia. Eu estou arrumada e de saida para ir ao super mercado.
Do nada, uma sirene MEGA ALTA começa a tocar sem parar. Eu estava no apartamento sozinha APAVORADA. Sem saber o que era aquilo, sem saber o que fazer... Decidi ir para a rua ver o que as pessoas na rua achavam daquilo. As sirenes pararam....
Era exatamente assim (esse video não é meu, achei no YouTube):
Todos pareciam tranquilos nem um pouco abalados pela sirene. Estou passando na frente da prefeitura. Então... a sirene começa novamente! Muito alta e vinha dali... da prefeitura. Meu coração dispara, mas ninguém parece abalado com isso. Tento me controlar... A sirene para...
A noite eu descubro que toda a primeira quarta-feira do mês, ao meio-dia, todas as prefeituras da França (Paris tem 20) testam as sirenes de ataque aéreo para verificar se elas funcionam corretamente. Elas tocam 3 vezes!
Nunca consegui me acostumar com isso. Todas as primeiras quartas do mês eu sempre pago mico com essas sirenes. Na L'Oréal, eles aproveitam o barulho para testar também as sirenes de incêndio dos prédios. Nem preciso dizer que eu sempre, SEMPRE, me levantava e saia correndo! Ainda mais que eu sou uma mega traumatizada depois do incêndio que passamos.
Bom, ja são 2,5 anos na França e toda a quarta-feira a mesma coisa. Portanto hoje... Estou tomando café. Quinta feira. 9h30, quase fim do mês de maio. As sirenes tocam, tocam, tocam.... Meu coração dispara!!!
_ Romain, é quinta feira? _ Eh! _ São 9h30? _ Exatamente! _ Por que as sirenes de ataque aéreo estão tocando? _ Ah bon? Não sei ... ?!
Eh, elas tocaram. Até agora não sei o motivo. Espero que seja somente uma data especial na historia da França e eu nunca soube.... =/
Chegamos, não exatamente hoje, ja fazem 5 dias que voltamos a realidade parisiense. O trabalho, a procura de emprego, a casa, as contas...
Apesar de tudo eu fiquei encantada com a Malasia, com o povo e com a natureza. Mas a Tailândia continua meu pais do coração! =)
Vocês ja conheciam meu roteiro, ele foi um pouco modificado depois que eu torci o tornozelo. Deixamos de ir à Cameron Highlands visitar as platações de cha e ficamos em Kuala Lumpur.
Nosso primeiro dia em Kuala Lumpur foi em Chinatown. Nosso hotel era bem estranho, barulhento e em um quarto sem janelas. O bairro, assim como todos os bairros chineses, era sujo, fedia, uma bagunça... Um camelodromo enorme era a atração principal do bairro, nada de artesanato, coisas locais... soh falsificados.
A noite fomos à KL Tower (421m) ver a cidade iluminada do alto. Começamos a ver que NENHUM taxi em Kuala Lumpur aceita usar o taximetro e cobram no minimo 2 vezes mais caro pelo trajeto. Você, sem opção, acaba aceitando contrariado. A vista da KL Tower é a mesma de uma cidade grande qualquer. A unica diferença é ver a Petronas Tower. Coisa linda!!!!
KL Tower
A Petronas Tower foi criada por um arquiteto argentino, Cesar Pelli. Elas foram concluidas em 1998 depois de 6 anos de construção, possuem 88 andares, 451,90m de altura e um corredor ligando as duas torres no 41° andar. Petronas é a Petrobras da Malasia.
Petronas Tower
Nosso primeiro dia na Malasia acabou assim. Uma nota média para Kuala Lumpur.
Hoje estou em Borneo, a parte da Malasia que e uma ilha. Estamos na regiao no sul de Borneo, se chama Sarawak. A outra regiao, ao norte, e Sabah, aonde estavamos ate ontem.
Por causa do meu pe as coisas aqui em Sarawak ficaram meio perdidas. No nosso roteiro havia muito treking, mas como agora nao posso andar muito, estamos meio sem saber o que fazer.
Sao 10h a mais que em Brasilia. Faz um calor horroroso! Daqueles dias bem dificeis no Rio, por exemplo. Kuching, a cidade aonde estamos, e linda demais. Tem muitos predios em estilo colonial, muito verde, o Rio de Sarawak e eh muito viva.
Nosso hotel eh maravilhoso!!!! A decoracao eh toda etnica, em cores quentes, muito bambu, madeira e um cheirinho de natureza muito agradavel.
Faltam 4 dias para ir embora e eu fico meio triste soh de pensar que terei que voltar pra Paris e enfrentar a realidade.